Per a tothom
Um blog em CatalunyaArquivo para Abril, 2007
“Estamos felizes”, disse o príncipe
Com tais palavras, Don Felipe, Príncipe de Asturias, definiu ontem o estado de ânimo da família real espanhola pelo nascimento de sua segunda filha com a princesa Letizia Ortiz Rocasolano. Como em muitas histórias da realeza, a infanta (filha de reis ou príncipes, porém não herdeira do trono) terá o mesmo nome da avó, no caso, a rainha Sofía.
E porque a realeza necessita se adaptar constantemente à atualidade, o anúncio oficial do nascimento foi feito com uma mensagem SMS enviada a veículos de comunicação e a jornalistas habituados a cobrir temas relacionados à família real. Dizia:
“Prensa Zarzuela. 17.28 h. S.A.R la Princesa de Asturias ha dado a luz a una niña”
Para muitos espanhóis, ontem foi um dia especial. Do mesmo modo que o nascimento da primogênita, infanta Leonor, ou o casamento dos príncipes. A infanta Sofía é a oitava neta dos reis da Espanha, ocupando o terceiro lugar na linha sucessória da coroa.
Para quem não está acostumado à monarquia, é interessante ver como o nascimento de um herdeiro real tem menos importância em Catalunya. A identificação histórica dos catalães como não pertencentes ao mundo espanhol se vê mais acentuada na maneira como muitos reagem a fatos de maior transcendência para Espanha.
Um exemplo: ontem, enquanto as emissoras de tevê espanholas transmitiam ao vivo da maternidade, o principal canal catalão mantinha a normalidade sem alterações na grade de programação. Pela noite, dois canais apresentavam programas especiais de mais de uma hora sobre a “história de amor” dos príncipes, enquanto o canal catalão transmitia uma gravação do último jogo do Barcelona.
Um pouco como diz a Glòria, catalã de toda vida:
- L’important és l’important.
Aos 80 anos de história
El músico que acompasó la historia del mundo
El País
Nota final de Rostropóvich
El Periódico de Catalunya
Rostropovich muere a los 80 años
La Vanguardia
Mstislav Rostropovich, 80, Dissident Maestro, Dies
The New York Times
Slava at Seventy-Five
The New Yorker
A flecha imprevisível de Barcelona 92
No último sábado, a caminho do show do Roger Waters em Barcelona, passei ao lado da pira olímpica dos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992. Lembrei então daquela expectativa pela pontaria do arqueiro: o tiro deveria ser preciso (ou pelo menos minimamente correto) para acender a Pira Olímpica.
Todos lembram que a flecha não atingiu o alvo e que um dispositivo automático evitou o desastre, como revelou um vídeo amador. A falha humana, tão imprevisível no esporte e em todos os aspectos da vida, teve uma merecida participação na festa de abertura. Hoje publicaram uma notícia que me chamou a atenção: pelo visto, as falhas humanas e técnicas não serão bem-vindas nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Segundo a matéria do El País (leia aqui), a tocha olímpica que dará a volta ao mundo nos próximos meses é um autêntico experimento científico. Ou melhor, parece um engenho incrível de um livro de ficção dos mais inocentes.
Ela em pessoa:
As qualidades da tocha são:
- Feita em alumínio;
- Resistente a ventos de até 65 Km/h;
- Resistente a chuvas de até 50 milímetros;
- Capacidade para continuar acesa durante 15 minutos;
- Resistente à corrosão e à perda de cor;
- Sistema de queima desenvolvido pela agência espacial chinesa.
Me pergunto: estamos para tanto?
Um dia desses voltarei ao Estádio Olímpico de Barcelona para lembrar daquela cena: a flecha que, imprevisível sem nunca atingir o alvo, silenciou milhões de (tele)espectadores de todo o mundo e ficou na memória.
Cobertura diária do terrorismo
Em 2004, de turismo pelo País Basco, vi selos do ETA pintados nas portas do comércio. É o mais real do grupo separatista que pude ver até hoje. Meses antes, toda a Espanha tinha saído às ruas para exigir do governo a verdade sobre os autores dos ataques terroristas contra Madri que deixaram 191 mortos e mais de 1.400 feridos.
As manifestações no Paseo de la Castellana, Madri (veja o mapa), em Barcelona e em outras cidades espanholas foram convocadas em grande parte com mensagens SMS. Para a maioria da população, a administração do ex presidente do governo José María Aznar mentia tentando responsabilizar o ETA pelos ataques.
As eleições presidenciais, que se realizariam três dias depois dos atentados, estavam em jogo, e por isso o governo Aznar manipulou a informação para que a culpa do massacre recaísse sobre o ETA.
A Espanha precisará de muito tempo para decantar as lembranças mais duras dos ataques. O julgamento dos suspeitos de envolvimento nos atentados, iniciado este ano e com cobertura diária da imprensa, revela que a suposta rede de terroristas acusados e o ETA nunca tiveram qualquer tipo de ligação.
O pior é que o Partido Popular (PP), praticando uma oposição irresponsável, mantém a mentira, insistindo indiretamente na culpabilidade do ETA - um editorial recente do El País no poderia ser mais contundente: “Seguem mentindo” -.
Isso justo no momento em que o governo Zapatero tenta assinar um acordo de paz com o ETA, que há muito não encontra o mesmo apoio nas ruas. A ditadura já não existe, a Espanha olha decidida para a Europa e a população quer o fim do terrorismo.
Alguns dizem que o acordo de paz poderia ser assinado antes das aleições presidenciais de 2008, mas será preciso muito esforço do governo, da oposição e um compromisso real do ETA para que a previsão se confirme.
“Pyongyang”: descoberta no salão do HQ
Meninos, eu vi. Vi HQs de todos os tipos e para todos os gostos; garotos que não alcançavam o livro mais ao fundo do balcão; senhores que, tocando com as mãos, não acreditavam no que viam; adolescentes fantasiados de seus personagens preferidos; e mais HQs.
Não sou um grande conhecedor do tema e, por isso, seguramente desperdicei oportunidades únicas do 25º Salón Internacional del Cómic de Barcelona (daquelas que um verdadeiro amante da arte nunca se permitiria). Mas, sim que fiz escolhas, ainda que nada arriscadas. Trouxe para casa:
- El final de la guerra – Reseñas biográficas de Bosnia (1995-96), Joe Sacco;
- Snoopy y Carlitos – 1957/1958, Charles M. Schulz;
- Pyongyang, Guy Delisle.
Esse último é a minha grande descoberta que aconselho. Canadense, Delisle conta o que viu durante uma visita de trabalho à capital norte-coreana. O humor, os detalhes e os traços fazem do livro uma leitura para não largar mais e recomeçar. Ele explica, por exemplo, que já não existe animação na França porque as empresas do setor subcontratam desenhistas na Coréia do Norte.
A programação do salão incluiu oficinas de desenho, conferências e apresentações e mesas-redondas. Eram muitos os autores chamados para autografar, e alguns estandes até separavam os fãs em filas exclusivas para cada assinatura. Além disso, organizaram exposições de 300 (Frank Miller), Asterix e Pablo Auladell (desenhista de Alicante), entre outras.
Só faltou a companhia de um amigo conhecedor (André, por onde andava?) que apontasse os HQs imperdíveis e essenciais.
Uma rosa de Sant Jordi
Hoje é dia de Sant Jordi, e por isso uma rosa de presente. Como não podia deixar de ser, fomos de passeio pelas ruas para ver o movimento e viver os nossos dias de São Jorge e do livro. Ganhei um de receitas, La cuina de l’Isma, e um Mini-guia para desfrutar de vinhos.
No Born, nosso bairro querido, pedi ao vendedor as duas rosas mais bonitas, e parece que ele entendia do tema. Sim que entendia, relembrando agora a reação da Glòria.
As ruas, como em todo Sant Jordi, tinham mais movimento do que de costume. O céu claro talvez tenha ajudado, mas creio que mesmo com chuva não deixaríamos passar a oportunidade de repetir o gesto: um livro para eles, uma rosa para elas.
Aproveitamos para jantar, já que o clima favorecia um momento a dois. Pedimos pratos leves, de pouca sofisticação. Não era o caso de excessos. Já de volta para casa, noite dessa vez, caminhamos por folhas de rosas caídas ao chão.
Mas melhor que descrições pobres, algumas fotos.
Feliz dia de São Jorge a todos.
Castelhano, euskera, catalão
Restando poucas horas para o Sant Jordi e para o Dia do Livro, reproduzo algumas informações sobre os hábitos de leitura dos espanholes, segundo um recente estudo da Federação de Grêmios de Editores da Espanha (FGEE).
- 56% de leitores, entre habitantes com mais de 14 anos de idade;
- Desses, 41,4% dizem ser leitores habituales;
- 44% confessam que não lêem habitualmente;
- Desses, 28,6% assumem que não lêem nunca.
Em relação aos idiomas, os mais habituais são:
- Castelhano (93,2%);
- Catalão (3,7%);
- Inglês (1,3%);
- Euskera (0,6%);
- Galhego (0,3%).
59,6% dos leitores só lêem em um idioma e os 40,4% restantes lêem em uma ou mais línguas, com preferência pelo inglês, o catalão e o francês.
Potência européia do HQ
Parabéns ao El Periódico de Catalunya que chegou às bancas na última quinta com esta capa. Em dias de tanto espaço à publicidade, deram o devido destaque ao HQ com o Tema del día (seção de abertura de cada edição com matérias sobre temas de maior atualidade). O título, no caso, foi:
Catalunya se consolida entre las potencias del cómic en Europa
Cidadãos de segunda? Longe disso
Quando cheguei em Barcelona há dois anos, tinha uma certa dúvida sobre como seria o tema do catalão e do castelhano. Mais de uma vez, me disseram que aqui o castelhano, definitivamente, não era bem visto. Algo parecido a aquela máxima de que os franceses torcem o nariz para o inglês.
Na verdade, estava mais preocupado em aprender o castelhano, mas não esquecia o tema, sempre pensando em como seria viver essa tão comentada rejeição catalã ao castelhano. Nesses dois anos, me surpreendi só uma vez.
Num evento, trabalhando para um jornal local, perguntei a um Conseller da Generalitat (como se fosse um ministro do governo catalão), se podia entrevistá-lo. Comecei assim:
- Perdoni, estic estudiant el català, però encara no el parlo. (Perdão, estou estudando o catalão, mas ainda não sei falar).
E em seguida me apresentei em castelhano. O senhor, irredutível, respondeu que daria a entrevista sem problemas, mas em catalão. Ou seja, eu perguntando em castelhano e ele devolvendo no seu idioma materno. Não queria discutir porque necessitava de respostas e porque não era o caso, mas depois pensei no bilingüismo, previsto na constituição espanhola.
Alguns amigos catalães, no entanto, me explicaram que esse senhor, por ser um alto cargo do governo catalão, dificilmente utilizará o castelhano, seja por convicção ou quase por imposição do cargo. Vivi apenas esse caso, e nunca, para ser bem sincero, me desrespeitaram nas ruas por falar em castelhano.
Toco no tema porque esses dias a Telemadrid, televisão da Comunidade Autônoma de Madri (ou seja, a capital do Estado espanhol, com todas as influências disso), transmitiu o programa Cidadãos de segunda, que gerou muita polêmica. A mensagem é a de que, na Catalunya, quem utiliza o castelhano é discriminado.
Não concordo.
Embora minha experiência seja muito limitada, não noto nas ruas o clima tão carregado de discriminação que eles tentam reproduzir no programa. Em todo caso, aqui está o vídeo (o princípio já vale para enteder a polêmica):
Faltam três dias para o Sant Jordi
And counting. A próxima segunda é dia de Sant Jordi (São Jorge), que seria um soldado romano nascido em Capadócia e, no caso da Catalunya, seu padroeiro. Para mim, é um dos dias mais bonitos do ano em Barcelona e uma das experiências mais divertidas de viver. Explico muito por cima.
A lenda conta que o dragão, monstro feroz, instala-se nas redondezas do vilarejo de Montblanc (Tarragona). Para evitar o pior, os habitantes da vila decidem sacrificar uma pessoa a cada dia, escolhida por sorteio, para saciar a fome da besta-fera. Chega a vez, no entanto, da filha do rei: ela também deve ser sacrificada para garantir a sobrevivência dos demais.
Aqui surge a figura de São Jorge: ele vence o dragão e livra a donzela da morte. O rei, em agradecimento, decide que a sua filha deve se casar com o cavaleiro, mas ele recusa e parte da vila sem mais. Essa, pelo menos, é uma das muitas versões.
Para recordar essa história, e porque São Jorge também é o padroeiro dos apaixonados em Catalunya, as ruas de Barcelona se enchem de livros e rosas nesse dia. Os homens dão uma rosa de presente às mulheres e elas um livro para eles. Os mais conservadores dizem que só podem participar os namorados e os casais, mas muitos amigos também celebram o dia. O 23 de abril também é o dia da morte de Cervantes (além do dia do livro, lógico, que deixei escapar!), e por isso há uma explicação mais completa sobre a troca de livros (clique aqui, em castelhano).
Lógico que o apelo comercial existe. As editoras e livrarias aproveitam a ocasião para montar barracas nas ruas das principais cidades da Catalunya. Nelas, vendem lançamentos e os livros encalhados, organizando também sessões de autógrafos para atrair o público. As previsões para este ano, segundo a Europa Press, são de 20 milhões de euros em vendas.
Terça-feira, portanto, nesse mesmo blog, histórias e fotos.

















