Per a tothom
Um blog em CatalunyaArquivo para Abril, 2007
“Barcelona, capital mundial del cómic”
Acabam de publicar na capa da versão on-line do El País:
“Barcelona, capital mundial del cómic”
Eu vou. E logo logo conto como foi. De momento, e para matar a vontade, entra no site oficial do Salão. Vale o clique só pelo cartaz oficial do evento. Serão quatro dias de espaço aberto e onze exposições.
Música e mais música
Escrever sobre música tem as suas vantagens. Você acaba descobrindo muita gente boa que, fora do circuitão, faz música que ajuda a enfrentar a correria do dia a dia. Compartilho aqui algumas descobertas, cantadas em catalão para quem quer escutar o idioma. Ao que interessa:
Tourbolet Show
Metal catalão? Sim, na verdade um festival itinerante criado por grupos do País Valenciano para divulgar as bandas que participam da iniciativa. O reprodutor está no pé da home do site.
Jordi Matas Quintet
Para quem curte um bom jazz, o grupo tem tudo para agradar. Com passagem pelo Taller de Músics de Barcelona (um dos melhores lugares para aprender e escutar boa música em Barcelona), Jordi Matas (e seus quatro colegas de palco) demonstra ter muito bom gosto. O reprodutor tá na home da banda.
Obrint Pas
A vez do ska valenciano. De disco novo (Benvingut al paradís), o grupo utiliza instrumentos tradicionais valencianos, bascos e gregos. Toda uma curiosidade. Reparem nas fotos do blog da gravação do disco.
Pirat’s Sound Sistema
E para quem curte reggae, vale a pena passar pelo myspace desse grupo de Barcelona. Acabam de lançar o seu segundo disco, com muitas partipações e influências.
La Troba Kung-Fu
Banda com energia para fazer música e alimentar o site. Os caras colocaram primeiro as músicas na internet e só depois lançaram o disco. Esse clipe é um dos mais recentes, e no site também rolam uns zines bem montados sobre cada uma das músicas do álbum.
Bom divertimento!
Az-zait: o ouro verde
Lojas especializadas em um produto e seus derivados são bastante comuns em Barcelona. Há uma só de jogos de mesa (comentarei sobre ela mais pela frente porque é muito interessante), outra de brinquedos em geral, as de chocolate que já comentei, uma de máscaras de papel machê e a de pôsteres de filmes, entre tantas mais.
Para minha surpresa, caminhando esse domingo pela cidade, encontrei uma de um produto tipicamente espanhol: o azeite (do árabe az-zait) de oliva virgem extra. O nome da loja diz tudo: orolíquido. Segundo texto da web, a idéia dos proprietários, desde o início do projeto, era crear “um espaço único, singular e elegante, no qual o azeite de oliva virgem extra e seus derivados fossem os protagonistas”.
Como se fossem vinhos, estão à venda azeites com denominações de origem. Ou seja, azeites que “representam” uma região por sua composição e características físicas. Na web, além de explicar as origens do azeite, detalham as características de 20 denominações de origem. Paciência com o castelhano, que vale a pena.
Na loja, chamam a atenção as embalagens, algumas até parecidas com garrafas de vinho ou de cava. Com ambiente informal, ela rompe com a idéia do azeite como algo do campo e tão ligado à terra. Na verdade, a fórmica e linhas curvas predominam na decoração. Mas são os preços, dependendo da escolha do cliente, os verdadeiros protagonistas: alguns azeites custam mais de 50 euros.
Próxima à catedral da cidade, orolíquido está muito bem localizada (ver o mapa). Passando por perto, não deixe de dar uma espiada.
Um cafezinho: 1,90 euros
Outro dia, durante o programa Tengo una pregunta para usted, da Televisão Espanhola, no qual 100 cidadãos fizeram perguntas diretamente ao presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero foi surpreendido: “Quanto vale um café na rua? O senhor sabe me responder?”
Questão simples, mas corrosivamente capciosa. Na verdade, a pergunta, ainda que aparentemente fora de lugar, se revelou muito oportuna para dar a medida do desconhecimento do presidente em relação ao custo de vida do país. Sua resposta: 80 centavos de euro.
Incrédulo, o participante do programa respondeu: “Não, isso era nos tempos, quase, do avô Pachi”. No dia seguinte, o lógico: os comentários, em todos os jornais e programas de tevê, eram sobre o tal café do presidente de 80 centavos de euro. Com certa razão: faz muito tempo que um café custa mais que 80 centavos de euro aqui na Espanha.
Com a entrada em circulação da moeda comunitária, em 2002, o cafezinho subiu de 100 pesetas (60 centavos de euro) para 1 euro na maioria dos estabelecimentos. Foi como na época da URV e do Real, quando o comércio arredondou tudo para cima.
O pior é que 1 euro por um cafezinho também já parece coisa do passado. Ontem mesmo, numa cafeteria/sorveteria do Bairro Gótico, eu e a Glòria pagamos 1,90 euros por um simples cafezinho. E isso por um que não tinha nada de especial, com exceção de uma clave de Sol de chocolate desenhada com perfeição (isso sim) na espuma de leite.
Conclusão: de visita por Espanha, e antes de pedir um cafezinho, melhor lembrar do “perguntar não ofende”.
Continuo: trabalhar em Barcelona?
Ter um visto de estudante ajuda, mas não resolve. A lei vigente até concede o direito de trabalhar nesse caso, mas sempre e quando as atividades profissionais não atrapalhem os estudos e tampouco representem a principal fonte econômica do estudante. Na prática, uma empresa que “contrate” alguém com esse visto necessitará pagar por fora – risco para ela e para o estudante –. No entanto, são comuns os casos de empresas que “contratam” estrangeiros com visto de estudante, já seja para trabalhos pontuais ou mesmo frequentes.
Informação importante: o visto de estudos, mesmo de mais de um ano, é considerado uma estância, ou seja, não conta para a residência. Hoje é possível pedir a residência com três anos vivendo na Espanha, mas esses três anos só contam para quem tem um contrato de trabalho não inferior a um ano.
O visto de trabalho seria a melhor solução na falta de um passaporte europeu. E aqui a dica: melhor garantí-lo aí no Brasil. Essa idéia de uma Europa de oportunidades é antiga, e pouco verdadeira. Em Barcelona, por exemplo, um brasileiro sin papeles (sem passaporte europeu ou um contrato, como dizemos aqui) é o quarto da fila: antes vêm o catalão, o espanhol e o europeu. Por isso, melhor ser realista e, no caso de assumir o desafio, estar preparado para a competitividade.
Em todo caso, os brasileiros somos bem vistos aqui: competentes, sérios, dedicados e trabalhadores. Quais profissionais? Pelo pouco que já escutei, os diagramadores, programadores, operadores de CAD, designers, professores de capoeira e músicos.
Em todo caso, sempre existe a possibilidade da ilegalidade. Muitos estrangeiros vivem aqui sem nenhum documento, e um dia chegam até a conseguir um contrato de trabalho e a residência. Mas até que isso ocorra, têm que viver com a sensação de ter sempre uma “dívida” com o Estado espanhol.
Por tudo isso, o melhor é: armar tudo com muita calma no Brasil.
Trabalhar em Barcelona?
Uma notícia de trabalho nada agradável hoje pela manhã me anima a escrever esse post. A pergunta chave se você pensa em algo mais que turismo em Barcelona é: como seria trabalhar na capital da Catalunya? Pois esclareçamos um pouco as coisas.
Há três possibilidades básicas:
- Ter um passaporte europeu (atenção quem tem ascendentes búlgaros ou romenos);
- ter um visto (de estudante ou de trabalho, por exemplo);
- trabalhar ilegalmente (menos indicada para quem não está para emoções fortes).
No primeiro caso, o melhor dos mundos. Além de entrar no mercado de trabalho em pé de igualdade com os europeus, você poderá contar com as vantagens da Seguridade Social. Como aqui ela funciona, equivale a garantir uma aposentadoria e a receber do Estado, em caso de demissão, parte do salário durante alguns meses, segundo cálculos com base no período trabalhado.
Um amigo francês, por exemplo, está tranqüilo mesmo demitido porque terá um “salário” em conta durante os próximos oito meses. Suas palavras: “Aproveitarei para me dedicar a atividades para mim, como a fotografia. Já procurarei outro trabalho”. Outra amiga, demitida recentemente, não deixa escapar a oportunidade para rever a família em Chile.
O melhor de ter um passaporte europeu, no entanto, é o fato de que assinar um contrato de trabalho deixa de ser uma consquista quase mítica. Muitas vezes, mesmo quem tem o currículo reconhecido numa entrevista de trabalho acaba sem a vaga por não pertencer à União Européia (UE). Como diz um amigo holandês – ele sim um cidadão da UE – com quem sempre converso sobre esses temas: o país de origem de cada um, no fim das contas, é determinante.
De momento, isso. Tenho que ir. Já continuaremos com as outras opções.
Chuva, chuva, chuva
“Chove lá fora e aqui, faz tanto frio”.
O clima de Barcelona pirou de vez. Vamos de casacos e jaquetas de chuva pela rua, sem ver a cara bonita da primavera. De momento, céu nublado, pingos e a vontade de não sair da cama.
Aqui o tempo dos próximos dias.
O melhor do flamenco
Sugestão para maio: passar por Madri de 7 a 26 e garantir entrada para o II Festival Suma Flamenca. O evento reunirá mais de 50 artistas, incluidos os maiores nomes do flamenco espanhol – o de verdade, não o produzido para turistas em sessões de meia hora, como fazem numa casa bastante conhecida aqui em Barcelona –.
Uma das estrelas será Sara Baras, nascida em Cádiz. Ela começou a estudar aos 8 anos na escola da mãe, Concha Baras. Em uma de suas apresentações em Barcelona, pude ver a expressividade do flamenco em todos os gestos e música próprios. Desde o movimento dos vestidos da artista que “representam” com fidelidade os temas musicais de cada ato até o impressionante sapatear das coreografias, tudo é um espetáculo para os olhos.
Quem tiver passagem marcada para o próximo mês não deveria perder a oportunidade: as entradas para o festival já estão à venda na internet.
Entre três estações de metrô
Aconteceu no espaço de três estações do metrô. Dois romenos começam a tocar sua música, um com clarinete e o outro com acordeão. Um homem alto, moreno e de compleição forte começa a batucar, tentando acompanhar o ritmo. Insinua um sorriso aberto, mas não chega a tanto porque equilibra o cartão de passagens entre os lábios. Do meu lado, um rapaz com aparência de quem vem da Índia tenta se concentrar em um livro em castelhano; ele usa Havaianas nos pés.
Mais adiante, uma senhora francesa procura moedas de euro para dar um trocado aos músicos, enquanto um outro rapaz, esse com traços orientais, não deixa de observá-los com certo assombro. Questão de minutos, até que o metrô pára e desço para seguir meu caminho dessa vez em trem.
Subir a um vagão de metrô em Barcelona, assim como em qualquer outro centro urbano (poderia dizer cidade grande, mas não no caso de Barcelona), é uma experiência revigorante. Os idiomas conhecidos e nunca ouvidos, rostos de todos os tipos, os gestos, as atitudes, o grito inesperado, o aviso do alto-falante, o celular que toca incansável, enfim, uma curta viagem subterrânea pode reservar tudo isso e tudo mais.
As seis linhas do metrô barcelonês te deixam praticamente em todas as partes. Com os pés na rua, o mais provável é que o seu destino esteja a poucos metros da estação ou dobrando a esquina (baixa aqui o mapa das linhas). Ao todo, são 631 vagões, 86 quilômetros de linhas (a São Paulo metropolitana, com mais de 19 milhões de habitantes, dispõe de apenas 60,2 km), 123 estações e 29 km/h de velocidade média, segundo os Transportes Metropolitanos de Barcelona.
Mas não tudo são flores. O metrô de Barcelona também se faz de tragédias: roubos de carteira, suicídios, acidentes, atrasos e casos de atendimento médico em plena plataforma, além de outras. E por isso repito: subir a um vagão de metrô em Barcelona é uma experiência revigorante.
P.s.: Obrigado pelo dado, Daniel.
Uma praça no Gótico, e a sua história
A primeira sensação é de calma. Por fim, silêncio, dirá mais de um. Ao lado da Catedral, mas protegida dos ruídos pelas edificações que a circundam e dos muitos visitantes do Bairro Gótico pelas duas ruelas serpenteantes que a ocultam, a Plaça de Sant Felip Neri (ver o mapa) é um ponto de tranquilidade em meio ao desassossego de uma das zonas mais turísticas de Barcelona. E também a inspiração de um repasso histórico (clique para visitá-la já).
Felip Neri foi um sacerdote italiano (1515-1595), fundador da Congregação do Oratório e canonizado em 1622. A ele também está dedicada a igreja situada na mesma praça. A história do local, no entanto, tem muitos mais anos de vida. O centro da praça ocupa hoje parte do cemitério medieval de Barcelona, que antes estava confinada entre muralhas romanas.
Também se encontram próximos um do outro os antigos grêmios dos caldeireiros e dos sapateiros (o qual é morada hoje do Museu do Calçado Antigo). Mais que uma organização setorial, os grêmios foram o núcleo da vida econômica de Barcelona porque respondiam pela união dos trabalhadores, pela formação técnica de novos profissionais e pela fiscalização do exercício profissional. Perduraram por 600 anos, do século XIII ao XIX, quando a revolução industrial transformou a economia catalã.
A história recente, no entanto, também deixa marcas na praça. Na fachada da igreja é possível ver as marcas de uma explosão provocada pelo bombardeio da aviação franquista italiana sobre Barcelona na manhã de 30 de janeiro de 1938. Recentemente, o prefeito de Barcelona compareceu a um ato para recordar aquele ataque. Durante três anos, cerca de 1.900 bombas caíram sobre a cidade em 385 ataques aéreos.
Hoje, felizmente, as bombas já não fazem ruído na Sant Felip Neri. Só as folhas de duas árvores imponentes que, balançadas pelo vento, fazem o visitante olhar para cima e encontrar também o céu (quase) sempre azul de Barcelona.


