Um dos primeiros posts de Per a tothom conta um pouco da praça Sant Felip Neri (lembra aqui). No dia 30 de janeiro de 1938, aviões italianos bombardearam a igreja dessa praça. Barcelona se transformava em campo de provas para as novas técnicas de bombardeio da população civil – as mesmas técnicas que, durante a Segunda Guerra Mundial, aterrorizariam Londres –.
Naquele 30 de janeiro, atentas às sirenes de aviso, as 30 crianças hospedadas na igreja – evacuadas de outras cidades espanholas – fizeram o que haviam aprendido: esconder-se no refúgio do sótão. O que ninguém sabia é que o teto do suposto refúgio, ao contrário das paredes, não estava feito de pedras e oferecia pouca proteção. A bomba rompeu a vidraça de uma das janelas da igreja, seguiu o seu curso e, vencido o teto do refúgio, explodiu, matando imediatamente as 30 crianças.
Ontem, 70 anos depois, a Direcció General de Memòria Democràtica exibiu o documentário La canalla(da) de Sant Felip Neri, de Pablo Tulián e Nicolás Escobar. Entre depoimentos de sobreviventes do bombardeio e alunos da escola situada atualmente ao lado da antiga igreja (hoje um convento), os realizadores recuperaram a história daquelas crianças, assim como as recordações dos sobreviventes.
Aqui entram muitos temas, como a exposição da população civil à guerra, os exageros de nacionalistas e republicanos durante a Guerra Civil Espanhola, o esquecimento das vítimas e sobreviventes, o debate histórico envolvendo temas ainda delicados e a necessidade de chamar a atenção das novas gerações (havia estudantes da escola de Sant Felip Neri na exibição).
Para quem quiser saber mais sobre os bombardeios em Barcelona (e tiver um pouco de tempo), vale a pena visitar a web Quando choviam bombas. Ao clicar em “Recreacions 3D amb bombardeigs”, e depois no primeiro mapa que aparece, surge uma tela com outros três mapas. No lado esquerdo, abaixo, há um link para um filme (pel·licula).
O El Períódico de Catalunya, por sua vez, explica melhor o bombardeio de 30 de janeiro.


