Temem que o Templo Espiatório de la Sagrada Família, monumento máximo da cidade, venha a baixo. A tese é de que poderia desmoronar devido à alta velocidade. Explico. Espanha ambiciona consolidar presença no grupo de países possuidores de trens de alta velocidade, como a França e o Japão. Digo consolidar porque, embora já ofereça o serviço para alguns trajetos, falta ligar comercialmente as duas “capitais” desse país de nações, Madri e Barcelona.
A intenção, em realidade, é avançar para mais além de Barcelona, até a fronteira com a França. Espanha, comentei anteriormente, vive de contrastes entre vanguardismo e atraso, e esse é um deles. No caso de Barcelona, o debate gira em torno do trajeto escolhido pelo governo central (leia-se Madri) para a linha subterrânea de alta velocidade. O projeto prevê a construção de um túnel sob a Rua Mallorca, que passa ao lado da Sagrada Família. A troca de ataques entre políticos de Madri e Catalunha dura meses.
Aqui surgem os problemas. Para o Patronato de la Sagrada Família, o trem põe em risco a estrutura do templo, que exibirá uma torre central de 170 metros de altura. O tribunal máximo espanhol, no entanto, indeferiu o pedido de suspensão das obras movido pelo Patronato.
A decisão do Patronato de entrar na Justiça gerou notícias, sendo uma delas um tanto surpreendente: La Sagrada Familia no tiene permiso de obras. Enfim. Outra notícia mais recente versa: El AVE irá a 30 km/h en Sants y a un máximo de 60 bajo el Eixample. No fim das contas, a alta velocidade será de 60 km/h.
Ninguém sabe ao certo o que acontecerá. E só resta esperar.


