Per a tothom

Um blog em Catalunya

Arquivo para Março, 2008

Só falta a couve em Barcelona

Deixo Barcelona, em breve, por um mês – todo namoro, por mais animado, necessita de ar puro –. Os amigos daqui, sabendo dessa ida, pediram uma despedida (tudo é motivo!), que acabou em uma tarde/noite de feijoada com caipirinha, conversa boa e gente variada. Tudo no apartamento de esquina do Danilo e da Rafa, que abriram as portas e janelas de casa para esse encontro gostoso de fim de semana prolongado.

A sexta-feira foi dia de juntar os ingredientes. Feijoada é esporte sério que exige bom preparo. Por isso, começamos pelo corte das carnes e a frigideira; ela cuidando para que tudo estivesse no ponto. Em seguida, foi a vez de encher com água e feijão a panela do Luis, própria de um filme do Almodóvar. A couve brasileira, que aqui não existe, tem que ser substituida por uma sósia local.

Não importa. Mudam detalhes, mas o amor pela boa comida é o mesmo. E por isso, no dia seguinte, não teve quem não repetisse (ou pelo menos enchesse o prato com sabedoria). Os franceses adoraram, a portuguesa preferiu o nosso modo de fazer a feijoada e até o amigo brasileiro reconheceu que uma que experimentara no dia seguinte era pura fraude.

Para completar, o Danilo, providencial inconseqüente com as pimentas da vendinha da esquina, preparou um caldinho ardente e tentador. Resultado do dia: barriga cheia, alegria (alegriaaaa!) da caipirinha e vontade de mais.

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Para dizer e ser ouvido

Algumas palavras e expressões, em Barcelona, dão o que falar. Exemplos:

“España es un país…”. Prepare-se!!! Qualquer referência a Espanha como país, dita na Catalunha, gera discussões de uma noite inteira. Um espanhol mais “Olé, olé, somos España!” adorará a frase, mas um catalão mais purista poderá até tentar a catequese.

“Hablar español”. Melhor dizer “hablar castellano” porque há o catalão, o galhego, o euskera etc.

“A meados de mes…”. Com certeza será mais prudente “A mediados de mes…”, já que “meados”, em castelhano, é mijados.

“Voy a sacar una fueto”. Ups, o pior do portunhol, porque é fácil de sair. Foto é foto, também em castelhano.

“Estoy caliente”. Frase perigosa, principalmente se dita à avó dela(e), no primeiro almoço em família do qual você participa (o que eu fiz uma vez!). O certo é “Tengo calor”, já que a outra frase envereda por outros caminhos.

O melhor de tudo é experimentar e dar risada de essas e outras boas no dia a dia. Bem desprevenido mesmo, quando as diferenças do idioma pregam uma boa peça.

Flores e modernismo

Algo realmente difícil de encontrar em Barcelona: lojas, restaurantes e estabelecimentos em geral 24 horas. Com exceção das bancas de jornais das Ramblas, algumas farmácias e discotecas, pode esquecer o costume de vagar pela noite como um consumidor do dia. Pena, porque muitas vezes dá vontade de sair para aproveitar os sabores da urbe também pela madrugada.

Outra exceção é a floricultura Fills de C. Navarro (Carrer València, 320 – mapa aqui), aberta todos os dias do ano, 24 horas por dia. Uma das minhas surpresas de ex-namorado foi levá-la de olhos fechados no carro, dizendo que iríamos a um lugar especial da cidade.

Descemos do carro, caminhamos um pouco pela calçada e ela, ainda com os olhos fechados, pôde sentir o perfume das flores. Elas são tantas que, passando pela calçada, é impossível deixar de perceber o perfume gostoso pouco comum em uma cidade.

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A floricultura é a salvação de pretendentes de última hora, maridos esquecidos e famílias a ponto de encontrar os parentes. Vale a pena a visita só para observar a variedade de flores e plantas da loja.

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Aproveitando, quem passar por lá não deve deixar de caminhar atento pela València em direção ao Passeig de Gràcia, observando as fachadas dos edifícios (muitas delas modernistas).

Ou seja, uma dica de flores para receber a primavera.

Barcelona cara

Ontem, algumas das manchetes dos principais jornais da Espanha e Catalunha diziam que Barcelona já é tão cara quanto Nova York. Segundo dados do banco suíço UBS, com base na comparação entre o poder de compra dos cidadãos e o custo da cesta de compras, o valor dos salários, as deduções nos salários e as horas trabalhadas, Barcelona ocupa o 20º posto no ranking da entidade bancária, apenas duas posições atrás de Nova York.

Em 2006, a capital da Catalunha aparecia na 28º posição. Aqui, sim, está a informação. Dois anos são suficientes para sentir no bolso os aumentos de preços. Falo por experiência, que em três anos pude reparar como diferentes produtos e serviços subiram durante o período, fazendo de Barcelona uma cidade não tão divertida para quem vive aqui. Alguns conhecidos até voltam surpreendidos de Paris por causa dos preços mais ou menos equivalentes, o que era impensável faz poucos anos considerando que Paris é Paris.

Alguns exemplos de aumentos de preços:

Em Barcelona:
Metrô (bilhete simples - preços atuais aqui): 1,10 euros (2004) – 1,30 euros (2008)

O litro de leite, que há dois anos custava cerca de 70 centavos de euro, agora não sai por menos de 1 euro.

Em Catalunha, alguns dados oficiais dos últimos 12 meses:

Alimentos e bebidas: aumento de 6,6%
Hotéis, cafés e restaurantes: aumento de 5,3%
Habitação: aumento de 5,7%

No mesmo período, a inflação foi de “apenas” 4,4%.

Repito: Paris é Paris. Nova York sempre será Nova York. E Barcelona parece querer ser a Barcelona.

De não ter um lar

O recente comentário da Illa sobre o post anterior, de tão verdadeiro, merece um post próprio.

“Recuerdo que la película Los amantes del Pont-Neuf me enseñó la delgada frontera que nos separa de la calle”.

Fato.

“Estoy harto de esta vida”

Barcelona quer saber quantas pessoas vivem na rua. A prefeitura da cidade, a Fundación Un Sólo Mundo, de Caixa Cataluña, e a Red de Atención a Personas sin Techo de la ciudad de Barcelona, criaram o projeto Recuento de Personas en la Calle 2008 para encontrar o número mais aproximado de pessoas vivendo sem moradia.

Na noite do último dia 12 para o 13, 700 voluntários participaram da iniciativa caminhando pelas ruas e tentando encontrar as pessoas sem um lar. Os resultados serão divulgados ainda esse ano, e qualquer um pode participar do projeto ajudando nas caminhadas noturnas. Alguns pontos da urbe foram escolhidos previamente devido ao conhecimento de outras entidades de que servem de abrigo improvisado.

A estimativa é de que 900 pessoas de Barcelona podem ser consideradas “sem teto”. Durante o dia e a noite, elas são visíveis para o olhar mais atento. Alguns bancos chegam até a trancar as portas dos caixas eletrônicos para impedir a entrada de quem necessite dormir (aqui faz frio no inverno e não é necessário cartão para entrar no caixa eletrônico).

Os dados mais recentes demonstram que é cada vez maior o número de imigrantes vivendo nas ruas, devido principalmente às dificuldades de acesso ao mercado de trabalho. “Estoy harto de esta vida. Harto”, disse um pescador à repórter do El Periódico de Catalunya que acompanhou os voluntários.

Domingo de Ramos

O policial já não deixava passar. Nada de carros, bicicletas, patinetes. Nada. Afinal, era dia de ramos.

Aquela mesa

Outro dia escrevi sobre um dos meus cantinhos na cidade e fiquei devendo fotos. Aqui estão:

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Essa classe de diversão

Algumas noites, deita na cama com as luzes já silenciadas. Toca nos ouvidos a música de uma banda recém-descoberta, baixinho, para não incomodar os pensamentos sadios desse repouso íntimo. Parece ser a ocasião mais alentadora do dia, quando passam pela cabeça os amigos, a família, planos de futuro, mulheres que gostaria descobrir, possíveis viagens e nada, zero de zero, do menos divertido do dia.

Uma companheira de cama, com quem pudesse trocar carinhos e toques de paixão, seria bem-vinda, porque é de todos essa carência inocente da meia-noite. Mas é preciso esclarecer que, se assim fosse, seria outra maneira de estar desperto. Aqui, com as luzes apagadas, sozinho no quarto, a música tocando baixinho, a diversão passa por estar consigo mesmo.

para escutar o que escutava

Ser único exige também essa classe de diversão, para a qual nem mesmo a pessoa amada é convidada. Em As invasões bárbaras, o protagonista, rodeado de familiares e amigos queridos, chega a uma solução. Na verdade, a uma decisão definitiva, dele somente. Do diálogo interior que trava, não participam amigos e familiares, ainda que o seu amor seja fundamental.

“Estar só para saber estar acompanhado”. No quarto, a música baixinho nos ouvidos, adormece com esse pensamento.

Babilônia no Louvre

© RMN/ G. Blot

Imagem: © RMN/ G. Blot

A exposição francesa sobre o império caído aproxima a lenda do histórico, enchendo olhos e alma do visitante.

Adoraria ir, mas por enquanto fico (ficamos todos) com uma visão geral e a boa informação disponível na internet (clica aqui).

Boa visita.

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