Per a tothom

Um blog em Catalunya

Essa classe de diversão

Algumas noites, deita na cama com as luzes já silenciadas. Toca nos ouvidos a música de uma banda recém-descoberta, baixinho, para não incomodar os pensamentos sadios desse repouso íntimo. Parece ser a ocasião mais alentadora do dia, quando passam pela cabeça os amigos, a família, planos de futuro, mulheres que gostaria descobrir, possíveis viagens e nada, zero de zero, do menos divertido do dia.

Uma companheira de cama, com quem pudesse trocar carinhos e toques de paixão, seria bem-vinda, porque é de todos essa carência inocente da meia-noite. Mas é preciso esclarecer que, se assim fosse, seria outra maneira de estar desperto. Aqui, com as luzes apagadas, sozinho no quarto, a música tocando baixinho, a diversão passa por estar consigo mesmo.

para escutar o que escutava

Ser único exige também essa classe de diversão, para a qual nem mesmo a pessoa amada é convidada. Em As invasões bárbaras, o protagonista, rodeado de familiares e amigos queridos, chega a uma solução. Na verdade, a uma decisão definitiva, dele somente. Do diálogo interior que trava, não participam amigos e familiares, ainda que o seu amor seja fundamental.

“Estar só para saber estar acompanhado”. No quarto, a música baixinho nos ouvidos, adormece com esse pensamento.

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