Deixo Barcelona, em breve, por um mês – todo namoro, por mais animado, necessita de ar puro –. Os amigos daqui, sabendo dessa ida, pediram uma despedida (tudo é motivo!), que acabou em uma tarde/noite de feijoada com caipirinha, conversa boa e gente variada. Tudo no apartamento de esquina do Danilo e da Rafa, que abriram as portas e janelas de casa para esse encontro gostoso de fim de semana prolongado.
A sexta-feira foi dia de juntar os ingredientes. Feijoada é esporte sério que exige bom preparo. Por isso, começamos pelo corte das carnes e a frigideira; ela cuidando para que tudo estivesse no ponto. Em seguida, foi a vez de encher com água e feijão a panela do Luis, própria de um filme do Almodóvar. A couve brasileira, que aqui não existe, tem que ser substituida por uma sósia local.
Não importa. Mudam detalhes, mas o amor pela boa comida é o mesmo. E por isso, no dia seguinte, não teve quem não repetisse (ou pelo menos enchesse o prato com sabedoria). Os franceses adoraram, a portuguesa preferiu o nosso modo de fazer a feijoada e até o amigo brasileiro reconheceu que uma que experimentara no dia seguinte era pura fraude.
Para completar, o Danilo, providencial inconseqüente com as pimentas da vendinha da esquina, preparou um caldinho ardente e tentador. Resultado do dia: barriga cheia, alegria (alegriaaaa!) da caipirinha e vontade de mais.


