Per a tothom

Um blog em Catalunya

Arquivo para Março, 2008

“O encontro mudo das duas Coréias”

Faz pouco tempo, estive na Coréia do Sul (posts “Pyongyang”: descoberta no salão do HQ e Malas desfeitas (e saudade no peito), este com fotos). Adoraria voltar e testemunhar esse reencontro entre o norte e sul.

Vi muita gente alegre e viva do lado aberto, e com certeza a Coréia do Norte, apesar do secretismo e estereótipos, mostrará sua gente comum ao mundo. Muito em breve, espero.

Le rendez-vous muet des deux Corées

O encontro mudo das duas Coréias
(acesso restringido a assinantes UOL)

Jamón, jamón

O jamón ibérico de bellota é artigo venerado na Espanha. Há puristas dispostos a pagar um dinheirão por uma peça. Um dinheirão que já sabia ser dos volumosos, mas não a tal ponto. Exemplos:

Jamón Ibérico Bellota Reserva 6 k 5J - 414 euros
Jamón Ibérico Bellota Reserva 8.5 kg 5J - 586,50 euros

A lista segue, segundo Jamón de Bellota.

É ou não é um autêntico dinheirão?!

Um cantinho meu

Descobri um cantinho na cidade onde um café, um vinho, uma refeição e simplesmente uma conversa descontraída podem ter sabor ainda mais especial. Lugar simples, nada afetado e freqüentado pelos daqui e turistas. Trata-se do bar/restaurante Iposa (Carrer Floristes de La Rambla, 14 – mapa aqui), muito bem localizado no centro.

Tem que ser a mesa para dois posicionada em frente à janela. Ela dá para os Jardins del Doctor Fleming, com um parquinho de crianças, cujos gritos enriquecem a trilha sonora do lugar. Mesmo fechando os olhos, essa mesa não defrauda. Mais ao fundo da paisagem, a construção sólida do antigo Hospital de la Santa Creu (considerado um dos mais antigos da Europa) completa a vista. Quem conseguir essa mesa, seja pela manhã, tarde ou noite, sentirá – e aposto uma rodada que sim – a vibração saudável de quem desfruta do momento.

O bom adicional dessa mesa é a localização. O mercado da Boqueria está a poucos metros de distância, assim como as Ramblas. Também é possível alcançar a Rambla do Raval sem mais esforço, sempre observando os detalhes e as pessoas.

Não opino sobre a comida do Iposa, que jamais experimentei. Alguns amigos, porém, dizem que é boa. Além do mais, o Marquitos, chef gastronômico, manda na diminuta cozinha do lugar. Fico devendo fotos desse meu cantinho, que permanecem na câmera. A prévia, porém, está aqui.

¡Qué morro!

Existe uma expressão fundamental do cotidiano em castelhano: “¡Qué morro!”. Equivale ao também essencial “Mas que cara-de-pau!”, que pode ser insubstituível como reação a ou para definir algo absurdo.

“¡Qué morro!”, pensei imediatamente após ler uma manchete do El País, publicada ontem. Dizia assim:

Los mandamientos pasan de diez

El Vaticano señala como pecado dañar el medio ambiente, drogarse o ser rico - Benedicto XVI lamenta que el mundo esté perdiendo el sentido del mal

Assim que ser rico é pecado? Bom saber.

O texto na íntegra aqui.

Os gigantes de Barcelona

Não é lenda urbana: eles existem!

Yomango

Outro dia fomos a uma pizzaria dessas de comer fatias, comuns aqui em Barcelona. Ainda que nenhuma delas faça pizzas realmente saborosas (as massas são congeladas), vale pela praticidade e o preço geralmente em conta. Nesse dia, porém, os atendentes pareciam muito moderninhos, e imagino que nos viram não tão moderninhos assim e pouco dignos de atenção, dado o atendimento displicente e indiferente – exemplo de quando, numa loja, parece que você, o cliente, comete o grande equívoco de pretender consumir, ainda que pagando pelo produto ou serviço –.

Como a pizza não era nada do outro mundo, porque nada justifica essa indiferença e já que a Illa e o Michael necessitavam um saleiro, agimos com discrição e movimentos rápidos. Sem que ninguém notasse, a Illa abriu a bolsa e eu, como se esbarrasse sem querer, fiz que ela ganhasse um lindo e prático saleiro. Um furto? Sim, não negamos. O curioso, porém, é que na Espanha existe um movimento/grupo/estilo de vida que justifica o furto em lojas e centros comerciais de outra forma.

Com a palavra, os do Yomango: “Se trata de inventar nuevos gestos que, en su repetir, abran nuevos mundos en los que habitar. El popular ‘mangar’, en español, remite etimológicamente a la imagen de obtener las cosas ‘bajo manga’ (ital.: sotto mano), ‘por debajo de la manga’ (manga = ital.: manica). YOMANGO es la producción de herramientas (ropas, complementos, instrumentos…) y gestos cotidianos (comportamientos, acciones…) para vivir YOMANGO. ‘Comprar’ es un ejercicio pasivo, aburrido, alienante, un acto socialmente predeterminado. ‘Mangar’ es una práctica creativa y excitante. ‘Robar’ se entiende como un delito: pero YOMANGO no conoce de legalidades o ilegalidades, sino, en cualquier caso, de un tipo de ‘legitimidad’ que es otra: la que surge de abajo, del cotidiano, del deseo de vivir con libertad creativamente. ‘Comprar’ es un acto de obediencia. YOMANGO es un estilo desobediente. YOMANGO es la mano que, en una danza insumisa explosiva e irreductible, traza en el aire de tu centro comercial el arco del deseo, sin mediaciones: directo del estante a tu bolsillo, sin dinero ni tarjetas. YOMANGO no es robo: la propiedad es el robo”.

Aí está a explicação – vale lembrar que Mango é o nome da popular loja de roupas espanhola –. O Yomango tem vídeos no Youtube, fóruns na internet e uma série de matérias e reportagens publicadas em revistas alternativas. No fórum original, há depoimentos sobre as situações mais variadas, como esse:

“Hola el otro dia fui a la FNAc y cambie los precios de unos productos , los pagué y resulta que al salir los de seguridad me llevaron a una habitacion y me dijeron que me habian pillado con el cambio de precio. Allí me pidieron el DNI y tomaron mis datos diciendome que me denunciarian por intento de estafa o algo asi, y que en unos meses me llegaria la citación. Luego pagué los productos que habia rebajado, en total tuve que pagar 25 euros. Estoy preocupado por lo de la citación. No sé si lo han hecho para asustarme o van en serio. En caso de que sea de verdad que podria pasar? Nunca me ha bia pasado nada de esto. Gracias”.

Por certo: o saleiro foi de grande utilidade no último jantar na casa da Illa e do Michael.

O bom da fotografia

Um site valioso para quem não desperdiça bons momentos de fotografia: Fine Art Photography.

A foto da página de abertura já vale uma visita.

“Selección”

Tudo começou com um caixote de designação “Selección”. Dentro, a mercadoria de qualidade superior conseguida de fonte fiável. O Luis havia comentado que um contato proporcionaria
mexilhões especiais, para comer e não esquecer jamais.

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O que deixara de avisar, no entanto, é que os mexilhões seriam seguidos de camarões excepcionais e berberechos (vôngole) dignos de uma degustação de privilegiados.

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Espanha é reconhecida em todo o mundo como uma referência em peixes, mariscos e
frutos do mar em geral. No mercado da Boqueria, por exemplo, a variedade enche os olhos do mais exigente, sendo que o efeito sobre a mesa chega a ser ainda mais assombroso.

Na casa do Luis, os cerca de 12 quilos de mariscos compartilhados entre cinco proporcionaram uma oportunidade incrível para experimentar alguns dos aromas, texturas e sabores fundamentais da comida mediterrânea.

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O melhor é saber que o preparo exige somente fogo e uma panela grande tampada. Nada de água, sal, azeite ou outro complemento. O próprio vapor dos mexilhões e berberechos se encarrega de preparar o manjar, preservando os sabores.

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Também se considera de bom tom comer com as mãos, sem constrangimentos. Havia vinho para acompanhar, mas não se proíbe a cerveja.

O jantar foi muito divertido, entrando para a lista dos melhores momentos das nossas vidas.

Gran Vía de Barcelona

Enquanto o sinal não abre, mãe e filha se dão as mãos.

Triste revival

O clichê diz que a História se repete, para o bem e para o mal. Faz poucas horas, o ETA realizou um novo atentado, matando pelas costas, e com tiros à queima-roupa, um ex-vereador e militante do PSOE, partido do atual presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. O momento explica em parte essa morte: as eleições para a presidência do governo espanhol ocorrem no próximo domingo. O ETA, portanto, envia uma mensagem clara.

Em 2004, os atentados terroristas de 11 de março em Madri provocaram uma mudança inesperada nas eleições também para a presidência do governo. Naquela ocasião, o governo do presidente José Maria Aznar mentiu, culpando o ETA pelos atentados. A população não engoliu a farsa, foi às urnas e garantiu a vitória de José Luis Rodríguez Zapatero.

Uma reviravolta semelhante não deve ocorrer dessa vez, mas é muito provável que, a exemplo de 2004, mais pessoas decidam votar – o voto não é obrigatório –, como uma forma de protesto contra o terrorismo. Os partidos políticos cancelaram hoje a campanha eleitoral, anunciando unidade. José Luis Rodríguez Zapatero, por sua vez, comparecerá diante das câmeras para expressar a posição oficial do governo.

A comoção também se nota nas pessoas. Acabo de comprar um lanche no restaurante de sempre, onde a televisão, sintonizada na TVE, dava mais detalhes do atentado. Nos rostos, a seriedade comum de quando chegam as notícias sérias. A esposa e uma filha do militante presenciaram o atentado, o que humaniza ainda mais o fato. A ação do ETA provoca uma sensação estranha de proximidade, pois atinge a todos de certa forma.

Hoje em dia, mesmo sem viver no País Basco, compreendo um pouco melhor a realidade dividida entre o terrorismo e a vida cotidiana, mais além das questões de Estado e reivindicação.

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