São Paulo é de personalidade forte e poucas concessões, mesmo para quem vem de longe. Quem sabe aquele parente distante saiba receber melhor o recém-chegado. No meu desembarque, faz uma semana, o mais provável dos cenários: congestionamento colossal e duas horas para chegar em casa.
As 11 horas de vôo são tempo suficiente para refletir sobre o pior dos mundos, mas só a realidade para mostrar que São Paulo continua senhora de si mesma, sem dar muita bola para quem a habita. Que o diga a família daquela casa ali na beira da marginal, cujo tapetinho de boas vindas quase invade o asfalto.
Outro comportamento ingrato da cidade: o total desrespeito ao pedestre. Essa é a minha terceira vez aqui como “turista”, e sempre é necessária uma dose extra de costume para os maus costumes. Faixas apagadas pelo desgaste, motoristas insensíveis ou quase cegos, falta de sinais de tráfego para o pedestre etc. Outro dia, dirigindo, estanquei em plena esquina para dar passo a um pedestre. Ele, desconfiado, demorou a cruzar a rua. Atrás, escândalo total, buzinas ensandecidas e caras feias.
A boa nova – pelo menos para mim, que ainda não tinha visto – é a ausência de publicidade e fachadas ilustradas por marcas. O Danilo e Rafa me contaram da nova lei ainda em Barcelona, mas não cheguei a conceber o alcance da medida. Uma certa descrença, para ser sincero.
E que diferença. Na rua, comecei então a esticar a vista procurando anúncios resistentes ou fachadas impunes. Nada, nadinha. O que restam são as estruturas e “molduras” dos anúncios em alguns edifícios – quem sabe a esperança de alguns de que a lei não pegue ou dure somente até a próxima administração –.
Mas o melhor de São Paulo continua entre quatro paredes: o encontro com amigos, a casa dos amigos, almoços de família e noitadas pela madrugada.


