Per a tothom
Um blog em CatalunyaArquivo para Afueras
No asfalto
São Paulo é de personalidade forte e poucas concessões, mesmo para quem vem de longe. Quem sabe aquele parente distante saiba receber melhor o recém-chegado. No meu desembarque, faz uma semana, o mais provável dos cenários: congestionamento colossal e duas horas para chegar em casa.
As 11 horas de vôo são tempo suficiente para refletir sobre o pior dos mundos, mas só a realidade para mostrar que São Paulo continua senhora de si mesma, sem dar muita bola para quem a habita. Que o diga a família daquela casa ali na beira da marginal, cujo tapetinho de boas vindas quase invade o asfalto.
Outro comportamento ingrato da cidade: o total desrespeito ao pedestre. Essa é a minha terceira vez aqui como “turista”, e sempre é necessária uma dose extra de costume para os maus costumes. Faixas apagadas pelo desgaste, motoristas insensíveis ou quase cegos, falta de sinais de tráfego para o pedestre etc. Outro dia, dirigindo, estanquei em plena esquina para dar passo a um pedestre. Ele, desconfiado, demorou a cruzar a rua. Atrás, escândalo total, buzinas ensandecidas e caras feias.
A boa nova – pelo menos para mim, que ainda não tinha visto – é a ausência de publicidade e fachadas ilustradas por marcas. O Danilo e Rafa me contaram da nova lei ainda em Barcelona, mas não cheguei a conceber o alcance da medida. Uma certa descrença, para ser sincero.
E que diferença. Na rua, comecei então a esticar a vista procurando anúncios resistentes ou fachadas impunes. Nada, nadinha. O que restam são as estruturas e “molduras” dos anúncios em alguns edifícios – quem sabe a esperança de alguns de que a lei não pegue ou dure somente até a próxima administração –.
Mas o melhor de São Paulo continua entre quatro paredes: o encontro com amigos, a casa dos amigos, almoços de família e noitadas pela madrugada.
Portão 55
Primeira semana de férias. O sol vivo em Barcelona no último dia 31 foi bom sinal, um presságio bem-vindo de que o merecido descanso com a família e amigos prometeria. O portão de embarque 55 ainda mostrava a chamada para um vôo com destino a Cairo, mas logo mudou para Zurique, onde esperei seis horas pelo avião – esse, sim, um gigante – que me deixou alegre em São Paulo. Foi uma longa espera para ler, escutar música e pensar em chegar.
Barcelona fica no coração de momento, encantadora como sempre. A paixão é física, daquelas de início. E para que dure mais desse jeito assim, nada mais saudável do que um descanso, a oportunidade para refrescar a vista, os ânimos e a sensibilidade. Além do que, Barcelona sabe que volto.
Girando o corpo uma última vez antes de embarcar, pude ver bem distante o Mont Serrat, um dos símbolos catalães. Foi a última imagem guardada dessa despedida de Barcelona com sabor de “volto já”. E como é bela a imagem dessa montanha simbólica da Catalunha.
Muito parecida com algumas imagens de outras épocas em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Babilônia no Louvre
Imagem: © RMN/ G. Blot
A exposição francesa sobre o império caído aproxima a lenda do histórico, enchendo olhos e alma do visitante.
Adoraria ir, mas por enquanto fico (ficamos todos) com uma visão geral e a boa informação disponível na internet (clica aqui).
Boa visita.
“O encontro mudo das duas Coréias”
Faz pouco tempo, estive na Coréia do Sul (posts “Pyongyang”: descoberta no salão do HQ e Malas desfeitas (e saudade no peito), este com fotos). Adoraria voltar e testemunhar esse reencontro entre o norte e sul.
Vi muita gente alegre e viva do lado aberto, e com certeza a Coréia do Norte, apesar do secretismo e estereótipos, mostrará sua gente comum ao mundo. Muito em breve, espero.
Le rendez-vous muet des deux Corées
O encontro mudo das duas Coréias
(acesso restringido a assinantes UOL)
O bom da fotografia
Um site valioso para quem não desperdiça bons momentos de fotografia: Fine Art Photography.
A foto da página de abertura já vale uma visita.
Luz do dia
O frio de verdade chegou acompanhado de um sol não menos autêntico. Deu vontade de esquecer o trabalho e aproveitar a cidade. As fotos são do caminho de casa até este post, um dos mais bem ilustrados de Per a tothom. Ou minto?
Enquanto isso, em outras partes da España…
Classificados
Achar quarto ou apartamento para dividir em Barcelona é todo um tema. Entre exigências econômicas, imóveis inabitáveis e possíveis companheiros um tanto suspeitos, a tarefa pode ser realmente cansativa. Imaginava que as outras cidades espanholas deveriam ter os mesmos problemas. O El País de hoje mostra que não só é assim, como pode ser folclórico.
Alguns exemplos de anúncios reunidos pelo diário:
“Alquila piso para que se lo reforme el inquilino: Zona centro Málaga”.
“VENTAJA:CONTRATO HASTA 10 AÑOS”.
“Alquila un baño por 75 euros al mes”.
“Sólo se enseñará la vivienda bajo un ingreso en cuenta que se devolverá si esta misma la alquila”.
“Ofrezco piso a parejas para tener relaciones a cambio de que me dejen mirar”.
“Estoy buscando un compañero de piso, hombre, de entre 25 y 40 años, preferiblemente estudiante, no fumador, si es extranjero abstenerse suramericanos, rumanos y búlgaros”.
Quem quiser assinar o contrato, pode clicar aqui.



