Per a tothom

Um blog em Catalunya

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Flores e modernismo

Algo realmente difícil de encontrar em Barcelona: lojas, restaurantes e estabelecimentos em geral 24 horas. Com exceção das bancas de jornais das Ramblas, algumas farmácias e discotecas, pode esquecer o costume de vagar pela noite como um consumidor do dia. Pena, porque muitas vezes dá vontade de sair para aproveitar os sabores da urbe também pela madrugada.

Outra exceção é a floricultura Fills de C. Navarro (Carrer València, 320 – mapa aqui), aberta todos os dias do ano, 24 horas por dia. Uma das minhas surpresas de ex-namorado foi levá-la de olhos fechados no carro, dizendo que iríamos a um lugar especial da cidade.

Descemos do carro, caminhamos um pouco pela calçada e ela, ainda com os olhos fechados, pôde sentir o perfume das flores. Elas são tantas que, passando pela calçada, é impossível deixar de perceber o perfume gostoso pouco comum em uma cidade.

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A floricultura é a salvação de pretendentes de última hora, maridos esquecidos e famílias a ponto de encontrar os parentes. Vale a pena a visita só para observar a variedade de flores e plantas da loja.

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Aproveitando, quem passar por lá não deve deixar de caminhar atento pela València em direção ao Passeig de Gràcia, observando as fachadas dos edifícios (muitas delas modernistas).

Ou seja, uma dica de flores para receber a primavera.

Aquela mesa

Outro dia escrevi sobre um dos meus cantinhos na cidade e fiquei devendo fotos. Aqui estão:

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Um cantinho meu

Descobri um cantinho na cidade onde um café, um vinho, uma refeição e simplesmente uma conversa descontraída podem ter sabor ainda mais especial. Lugar simples, nada afetado e freqüentado pelos daqui e turistas. Trata-se do bar/restaurante Iposa (Carrer Floristes de La Rambla, 14 – mapa aqui), muito bem localizado no centro.

Tem que ser a mesa para dois posicionada em frente à janela. Ela dá para os Jardins del Doctor Fleming, com um parquinho de crianças, cujos gritos enriquecem a trilha sonora do lugar. Mesmo fechando os olhos, essa mesa não defrauda. Mais ao fundo da paisagem, a construção sólida do antigo Hospital de la Santa Creu (considerado um dos mais antigos da Europa) completa a vista. Quem conseguir essa mesa, seja pela manhã, tarde ou noite, sentirá – e aposto uma rodada que sim – a vibração saudável de quem desfruta do momento.

O bom adicional dessa mesa é a localização. O mercado da Boqueria está a poucos metros de distância, assim como as Ramblas. Também é possível alcançar a Rambla do Raval sem mais esforço, sempre observando os detalhes e as pessoas.

Não opino sobre a comida do Iposa, que jamais experimentei. Alguns amigos, porém, dizem que é boa. Além do mais, o Marquitos, chef gastronômico, manda na diminuta cozinha do lugar. Fico devendo fotos desse meu cantinho, que permanecem na câmera. A prévia, porém, está aqui.

Beatlemania em BCN

Sábado passado foi dia de Beatles. Tocaram aqui em Barcelona, e falam catalão perfeitamente! Foi o que demonstraram nos intervalos entre uma música e outra, contando piadinhas para romper o gelo inicial.

O show aconteceu na Sala Bikini (Deu i Mata, 105 – mapa aqui), onde estávamos público e músicos da Abbey Road, “la banda tributo Beatle más importante del panorama Español, con un repertorio que hasta la fecha recogía los más grandes éxitos de la banda Británica durante el periodo 1962 – 1966. Ahora amplia su repertorio a la segunda época, hasta 1970″.

Somewhere in her smile she knows,
That I don’t need no other lover.
Something in her style that shows me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe in how.

Por isso digo que os Beatles falam catalão: os Abbey Road - quintos na lista de melhores clones mundiais dos ingleses - são uma cópia verdadeira da banda original: cabelos, roupas, acordes e atitude no palco. Sempre me perguntei como deve ser isso de viver (e, mais ainda, tocar) imitando outro, mas parece que esse questionamento só passava pela cabeça durante o show. Os músicos tocavam animados para uma platéia empolgada. Havia duas meninas ao meu lado, por exemplo, que se comportavam como as fãns do passado, e estou seguro de que pulariam no palco se fossem os autênticos Beatles.

I look at the world and i notice it’s turning
While my guitar gently weeps
With every mistake we must surely be learning
Still my guitar gently weeps

Os Abbey Road chegam ao requinte de vestir roupas confeccionadas a partir de desenhos originais. Havia uma sinceridade recíproca no ar: a banda respeitava o carinho do público pelos Beatles, enquanto a platéia admirava a tentativa dos músicos de reviver o sonho. Penso que podiam estar mais “soltos”, como nos bis. Em vez disso, todo o show soava como um CD de estúdio, com sonoridade muito certinha.

It’s wonderful to be here,
It’s certainly a thrill
You’re such a lovely audience,
We’d like to take you home with us, we’d love to take you home.

A banda já realizou mais de 1.500 shows, em quatro continentes. É muita estrada, e por isso continuo pensando como será isso de viver de imitar. Que deixe um comentário quem faz algo semelhante.

Noite na Casa Portuguesa

Veio do Brasil a notícia de que o amigo Lello já é português. Pensei: junto uma turma e vamos todos à Casa Portuguesa (Carrer Verdi, 58 – mapa aqui) para comemorar como pede a ocasião. Foi a oportunidade também para reunir as “parejas” que fizemos o curso de lindy hop, estilo de dança ligado ao swing.

O ambiente é bastante agradável, com boa música (curiosamente pouca típica portuguesa), uma variedade desejável de vinhos e salgadinhos e doces para comer. A explicação para o bom gosto da decoração, a diversidade musical e o estilo descontraído é que a casa, apesar do que sugere o nome, está desvinculada do governo português. Trata-se de um investimento privado que, no fim das contas, chama clientela - também - pela idéia de que seja a “casa” de Portugal em Barcelona.

Éramos eu, Luis, Laia, Cristina e a Carlota e o seu namorado. Antes de sentar, como clientes normais, tentamos lembrar os passos de lindy hop, e assim começou a noite. Pedimos uma garrafa de vinho da casa (mesmo a dois, sai mais em conta que pedir taças individuais), empadas de lombo e galinha, pastéis de carne, um borrachão e queijo. A conversa boa completou o cardápio, assim como o atendimento impecável. Brinde ao Lello.

Foi nessa noite que conheci a mania da lomografia. Esse estilo/tendência/método de foto merece uma definição ipsis litteris: “Todo comenzó en Praga en 1991, cuando nosotros, un tropel de alegres estudiantes vieneses descubrimos en una tienda de accesorios fotográficos la pequeña cámara compacta rusa de nombre ‘Lomo Kompakt Automat’, descubriendo una nueva forma de fotografía: el divertido disparo desde la cadera, la aventura de la instantánea improvisada y casual, la excitación de la experimentación fotográfica continua y cotidiana en el mayor número de situaciones imposibles, con resultados fotográficos imposibles”.

Ver os modelos (aqui), porém, já basta para entender melhor a lomografia. Boas fotos.

Com vocês, a Sagrada Família

E como falar dela sem vê-la? Pois dois vídeos frescos de ontem pela noite.

Sagrada Família à prova

Temem que o Templo Espiatório de la Sagrada Família, monumento máximo da cidade, venha a baixo. A tese é de que poderia desmoronar devido à alta velocidade. Explico. Espanha ambiciona consolidar presença no grupo de países possuidores de trens de alta velocidade, como a França e o Japão. Digo consolidar porque, embora já ofereça o serviço para alguns trajetos, falta ligar comercialmente as duas “capitais” desse país de nações, Madri e Barcelona.

A intenção, em realidade, é avançar para mais além de Barcelona, até a fronteira com a França. Espanha, comentei anteriormente, vive de contrastes entre vanguardismo e atraso, e esse é um deles. No caso de Barcelona, o debate gira em torno do trajeto escolhido pelo governo central (leia-se Madri) para a linha subterrânea de alta velocidade. O projeto prevê a construção de um túnel sob a Rua Mallorca, que passa ao lado da Sagrada Família. A troca de ataques entre políticos de Madri e Catalunha dura meses.

Aqui surgem os problemas. Para o Patronato de la Sagrada Família, o trem põe em risco a estrutura do templo, que exibirá uma torre central de 170 metros de altura. O tribunal máximo espanhol, no entanto, indeferiu o pedido de suspensão das obras movido pelo Patronato.

A decisão do Patronato de entrar na Justiça gerou notícias, sendo uma delas um tanto surpreendente: La Sagrada Familia no tiene permiso de obras. Enfim. Outra notícia mais recente versa: El AVE irá a 30 km/h en Sants y a un máximo de 60 bajo el Eixample. No fim das contas, a alta velocidade será de 60 km/h.

Ninguém sabe ao certo o que acontecerá. E só resta esperar.

En lo alto

No post recente para os amigos, compartilho detalhes da cidade que vou observando. Deixei passar um, no entanto, que diz muito de Barcelona.

Olhar para cima é fundamental ao caminhar pela urbe, como em Veneza. Há fachadas exuberantes, janelas de formas estranhas, terraços decorados com anjos em pedra e muitas outras surpresas para quem levanta a vista.

Um passeio pela Rua Valência, entre Passeig de Gràcia e Passeig de Sant Joan, enche os olhos. Dependendo da hora do dia e da estação, a luz natural contribui intensificando cores e contrastes.

O vídeo a seguir não vem da Rua Valência, mas da Rua de Pujol. Fico devendo.

Super terça

Faz sol em Barcelona, o frio agrada e a conta bancária volta a sorrir. Combinação perfeita para fazer planos. A terça-feira de hoje tem:

Exposição Amazônia, Brasil pré-histórico, Museu Barbier-Mueller d’Art Precolombí, na Rua Montcada, 14. Anotado.

Também é dia de comprar frutas e verduras, que as prateleiras estão renovadas . Já veremos.

Promete também um retorno à Bodega Marín para um vinho e um petisco. Melhorando.

Ou quem sabe, uma sessão no Verdi e ver como está Juno ou 4 meses, 3 semanas e 2 dias. Vamos bem.

Pode ser uma visita à Parròquia Sant Ferran, para escutar o coral de gospel que se apresenta cada semana. Me disseram que vale a pena.

Na Ciutat Vella, há uma exposição com fotos da transformação de Montjuïc, entre 1915 e 1923, quando remodelaram a colina.

Mas posso também fazer dessa terça-feira uma super terça do esporte, saindo de bicicleta ou matriculando-me na natação. Tô mais para essa opção.

Em todo caso, sempre há alternativa de não inventar nada e simplesmente, numa mesa qualquer de bar, pedir uma dose para observar quem vem e quem passa.

Um café?

Para encontrar-me aos domingos, pela manhã, a plaça del Rellotge. Na mesa ao sol.

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