Per a tothom
Um blog em CatalunyaArquivo para El lloc (o lugar)
Traços marcantes
Pouco mais de sete quilômetros. Essa é a distância que me separa do mar, segundo pude medir ontem com uma ida à praia de bicicleta. Não é a primeira vez que vivo tão próximo dessa combinação perfeita entre areia e água do mar. Quem me conhece sabe que morei no Rio de Janeiro, precisamente a poucos quilômetros da Barra da Tijuca.
Não nego minha admiração por São Paulo ou Brasília, onde também habitei encantado mesmo sem um oceano dobrando a esquina. A costa, os portos e as margens, no entanto, são especiais, e desconheço até que ponto o mar influenciou minha decisão de viver em Barcelona. Quem a conhece e pôde visitar os bairros altos da cidade, provavelmente guardará a lembrança de, caminhando sem mais, reconhecer o Mediterrâneo no horizonte. E não me refiro a visitar o Tibidabo ou o Montjuïc, montanha e colina, respectivamente.
Barcelona causa admiração também por essa personalidade costeira, os bairros de forte vínculo histórico com o mar (muitos moradores não dissimulam a nostalgia por outros tempos), o porto e os encontros de praia no verão, entre outros traços marcantes.
Aproveitei ontem para tirar foto, à beira do Mediterrâneo.
70 anos depois
Um dos primeiros posts de Per a tothom conta um pouco da praça Sant Felip Neri (lembra aqui). No dia 30 de janeiro de 1938, aviões italianos bombardearam a igreja dessa praça. Barcelona se transformava em campo de provas para as novas técnicas de bombardeio da população civil – as mesmas técnicas que, durante a Segunda Guerra Mundial, aterrorizariam Londres –.
Naquele 30 de janeiro, atentas às sirenes de aviso, as 30 crianças hospedadas na igreja – evacuadas de outras cidades espanholas – fizeram o que haviam aprendido: esconder-se no refúgio do sótão. O que ninguém sabia é que o teto do suposto refúgio, ao contrário das paredes, não estava feito de pedras e oferecia pouca proteção. A bomba rompeu a vidraça de uma das janelas da igreja, seguiu o seu curso e, vencido o teto do refúgio, explodiu, matando imediatamente as 30 crianças.
Ontem, 70 anos depois, a Direcció General de Memòria Democràtica exibiu o documentário La canalla(da) de Sant Felip Neri, de Pablo Tulián e Nicolás Escobar. Entre depoimentos de sobreviventes do bombardeio e alunos da escola situada atualmente ao lado da antiga igreja (hoje um convento), os realizadores recuperaram a história daquelas crianças, assim como as recordações dos sobreviventes.
Aqui entram muitos temas, como a exposição da população civil à guerra, os exageros de nacionalistas e republicanos durante a Guerra Civil Espanhola, o esquecimento das vítimas e sobreviventes, o debate histórico envolvendo temas ainda delicados e a necessidade de chamar a atenção das novas gerações (havia estudantes da escola de Sant Felip Neri na exibição).
Para quem quiser saber mais sobre os bombardeios em Barcelona (e tiver um pouco de tempo), vale a pena visitar a web Quando choviam bombas. Ao clicar em “Recreacions 3D amb bombardeigs”, e depois no primeiro mapa que aparece, surge uma tela com outros três mapas. No lado esquerdo, abaixo, há um link para um filme (pel·licula).
O El Períódico de Catalunya, por sua vez, explica melhor o bombardeio de 30 de janeiro.
100% Selecció
Tento com esse blog contar um pouco sobre Barcelona a partir de vivências e impressões. Lógico que não dou conta do muito que essa cidade oferece e realiza. Por isso, compartilho hoje uma web interessante com uma seleção de 100 lugares da cidade, entre pontos de interesse arquitetônico, bares, restaurantes e lojas.
Está bem montado, na forma e conteúdo, e bem explicadinho. O site oferece ainda a possibilidade de imprimir mapas por zonas, o que ajuda na hora de se dedicar a uma ou outra parte da cidade. Eu descobri muitos lugares, e a verdade é que nem vi a hora passar. Só não vale esquecer do Per a tothom.
O site aqui.
Bodega Marín
Chama-se Carolina (¡vaya coincidencia!), e está acostumada aos excessos de um ou outro cliente. Dirige o olhar aos que entramos, e de passagem pergunta o que será. Não respondemos a tempo, e só na volta encomendamos duas taças de bom vinho e uma porção de azeitonas. Carolina é ágil, movimenta-se astuta entre os clientes da Bodega Marín (Milà i Fontanals, 72 - mapa aqui), a maioria deles de pé bem no caminho, sem ordem ou consideração pelo seu trabalho. Há dois bancos de balcão disponíveis, e aproveitamos a oportunidade.
Alguém me deu boas referências dessa bodega, daquelas de ambiente original e freqüentadas por clientes assíduos. Senhoras e senhores do bairro, se cabe a definição. Eles dizem e fazem o que querem, ou pelo menos confiam que seja assim. Fazia tempo que desejava participar também, e convidei a Cécile para acompanhar-me. Ela, como eu, identifica-se com esses estabelecimentos, e não rejeita uma boa conversa. Pude reparar que muitos dos clientes eram os mesmos do outro dia, quando passei para comprar um vinho para um jantar. Bom sinal, de que a casa agrada.
Falta ir mais vezes para saber as melhores pedidas, mas só o lugar já vale. E também o prazer de identificar nas estantes das paredes (de fato, não se vê paredes) algumas das melhores marcas de vinhos e cavas. Também há sucos de garrafa, como uma autêntica vendinha de rua. Fecha cedo (às 22 horas), é verdade, mas também madruga (às 7 horas). Carolina diz que para servir cafés, mas seguramente haverá quem, seguindo a tradição aqui na Espanha, pede tão cedo um carajillo (cafezinho preto com conhaque).
De volta, e de casa nova
Faz muito tempo que não escrevo para todos. Tanto tempo que nem sei quanto tempo faz. Pensei esses dias que é melhor voltar, recuperar o hábito. Apresento então o meu novo lar, no bairro de Gràcia (onde, onde?!). Minha última relação a dois chegou a um fim, e daí a mudança para Gràcia. No apartamento já estavam a Neus e a Laia, além das gatas Txela e Trini. Todas mulheres, que me ensinarão muito do que falta aprender. El Masnou era uma cidade pequena, com ruas vazias, casas de condomínio e um centro diminuto. Valia a pena porque lá estava a minha companheira, e com ela a nossa casa. Gràcia, por outro lado, parece o centro mesmo de Barcelona. Abro a porta da rua e mal consigo me esquivar das pessoas que passam, dos carros quase tocando o braço e das bicicletas imprevisíveis. Tem muita gente jovem e bonita. Garotas lindas, e rapazes atentos. As lojas resistem em fechar, respeitando os horários que dita a lei. Gràcia tem praças para um café de domingo, além de um dos melhores cinemas da cidade, o querido Verdi. Vou conhecendo aos poucos, e quem sabe nunca passe diante da lojinha especial que cada um diz ter no bairro. São tantas… Pois aqui estou, também para quem quiser me visitar.
Rotas culturais de qualidade em BCN
Em Barcelona se respira turismo. De todos os tipos, começando pelo mais exclusivo e perdendo qualidade, até que aparecem serviços e estabelecimentos como os muitos restaurantes com cartazes do cardápio e senhores impertinentes na porta (Ramblas, principalmente). Por isso, o turista (e mesmo os que vivemos aqui) está exposto ao bem e ao mal, e sempre a preços altos.
Outro dia tive a oportunidade de entrevistar para uma matéria Lucía Conte Aguilar, diretora de Projetos de Itinera Plus, empresa especializada em rotas culturais sob medida. Ou seja, uma pessoa que ligue e proponha um tema para uma rota (Barcelona jovem, por exemplo) e uma empresa que queira oferecer algo diferente para seus clientes podem pedir um orçamento para suas rotas.
O motivo é que Itinera Plus, que conta com uma equipe de historiadores e guias oficiais, elabora as rotas com base em pesquisas em arquivos históricos de Barcelona e de Catalunya e em bibliotecas centrais. Segundo Lucía, a idéia nasceu quando os cinco sócios fundadores, amigos na universidade e guias autorizados, decidiram montar um negócio próprio diferenciado e de mais qualidade.
Isso quando eles, identificando os defeitos das empresas que oferecem rotas turísticas e percebendo que os turistas muitas vezes não são bem atendidos, se reuniram, pensaram em como encontrar um espaço no setor (tão povoado) e chegaram à conclusão de que os produtos sob medida e as rotas realmente investigadas seriam uma boa idéia de mercado.
E está funcionando. Hoje oferecem rotas para o público em geral como Barcelona boêmia e Barcelona sob o signo de Vênus (sobre as mulheres representativas da história da cidade), entre outras. Para empresas, já montaram uma rota, por exemplo, sobre medicina e Barcelona.
Quem passar por aqui de férias e quiser conhecer um pouco mais da cidade (e não só o que dizem os guias de viagem), pode ter Itinera Plus como uma referência de bom serviço turístico.
Barcelona que vive do verão
Sinais de que o verão se aproxima mais e mais de Barcelona:
- Bicicletas por todos os lados;
- Cores vivas, cores!;
- Azul no céu e verde no Mediterrâneo;
- De volta as bermudas, camisetas, saias, sandálias, chinelos etc.;
- Horário intensivo em muitas empresas (trabalho só até as 15 horas!);
- Companhias ligando com ofertas de ar condicionado;
- Janelas abertas no trânsito;
- Calor infernal na estação da Plaça Catalunya;
- Cortinas que escapam de casa com o vento da tarde;
- Noite que só chega pelas 21h30;
- Praieiros no metrô;
- Protetor solar na mochila;
- Turistas nórdicos vermelhos de praia;
- Suor na pele;
- Fila nas sorveterias reabertas para a temporada;
- A impressão de que as músicas também mudaram de ritmo;
- Grupos de amigos no parque da Ciutadella;
- Jardins públicos com gente dormindo na grama;
- O clima gostoso de verão de cidade beira-mar.
São esses os sinais, e muitos outros mais, de que Barcelona já vive do verão.
Malas desfeitas (e saudade no peito)
Já em Barcelona, com as malas desfeitas e a saudade de Seul no peito, aproveito para subir algumas fotos da capital sul-coreana. Eu e a Glòria visitamos templos, comemos em bons restaurantes, participamos de cerimônias tradicionais e caminhamos pelas ruas da cidade como dois locais. Tivemos a ajuda de amigos, fundamental no caso de uma cidade tão grande e muitas vezes pouco comunicativa com os turistas.
Mais de uma vez, bem no estilo de Lost in translation, tivemos que apontar figuras em cardápios para comer. É bom lembrar que os idiomas, nessas ocasiões, valem nada comparados à gesticulação e à eficiência de algumas caras e caretas. Mas sem escrever muito, aqui vão as fotos. Tem mais nos próximos dias porque Per tothom está de volta.


