Per a tothom

Um blog em Catalunya

Arquivo para Garfo e faca

Só falta a couve em Barcelona

Deixo Barcelona, em breve, por um mês – todo namoro, por mais animado, necessita de ar puro –. Os amigos daqui, sabendo dessa ida, pediram uma despedida (tudo é motivo!), que acabou em uma tarde/noite de feijoada com caipirinha, conversa boa e gente variada. Tudo no apartamento de esquina do Danilo e da Rafa, que abriram as portas e janelas de casa para esse encontro gostoso de fim de semana prolongado.

A sexta-feira foi dia de juntar os ingredientes. Feijoada é esporte sério que exige bom preparo. Por isso, começamos pelo corte das carnes e a frigideira; ela cuidando para que tudo estivesse no ponto. Em seguida, foi a vez de encher com água e feijão a panela do Luis, própria de um filme do Almodóvar. A couve brasileira, que aqui não existe, tem que ser substituida por uma sósia local.

Não importa. Mudam detalhes, mas o amor pela boa comida é o mesmo. E por isso, no dia seguinte, não teve quem não repetisse (ou pelo menos enchesse o prato com sabedoria). Os franceses adoraram, a portuguesa preferiu o nosso modo de fazer a feijoada e até o amigo brasileiro reconheceu que uma que experimentara no dia seguinte era pura fraude.

Para completar, o Danilo, providencial inconseqüente com as pimentas da vendinha da esquina, preparou um caldinho ardente e tentador. Resultado do dia: barriga cheia, alegria (alegriaaaa!) da caipirinha e vontade de mais.

feijoada-5.jpg
feijoada-2.jpg feijoada-25.jpg

feijoada-3.jpg

“Selección”

Tudo começou com um caixote de designação “Selección”. Dentro, a mercadoria de qualidade superior conseguida de fonte fiável. O Luis havia comentado que um contato proporcionaria
mexilhões especiais, para comer e não esquecer jamais.

vida2.jpg

O que deixara de avisar, no entanto, é que os mexilhões seriam seguidos de camarões excepcionais e berberechos (vôngole) dignos de uma degustação de privilegiados.

vida.jpg

Espanha é reconhecida em todo o mundo como uma referência em peixes, mariscos e
frutos do mar em geral. No mercado da Boqueria, por exemplo, a variedade enche os olhos do mais exigente, sendo que o efeito sobre a mesa chega a ser ainda mais assombroso.

Na casa do Luis, os cerca de 12 quilos de mariscos compartilhados entre cinco proporcionaram uma oportunidade incrível para experimentar alguns dos aromas, texturas e sabores fundamentais da comida mediterrânea.

vida3.jpg

O melhor é saber que o preparo exige somente fogo e uma panela grande tampada. Nada de água, sal, azeite ou outro complemento. O próprio vapor dos mexilhões e berberechos se encarrega de preparar o manjar, preservando os sabores.

vida4.jpg

Também se considera de bom tom comer com as mãos, sem constrangimentos. Havia vinho para acompanhar, mas não se proíbe a cerveja.

O jantar foi muito divertido, entrando para a lista dos melhores momentos das nossas vidas.

O bom do bom

Lembram da La Paradeta, no Born? Aqui está.

Para comer bien

Quando dá vontade de mariscos frescos, La Paradeta (Carrer Comercial, 7), no Born, é a pedida certa. A originalidade desse restaurante – e o motivo de tanto sucesso e das filas para entrar – é que pode ser considerado uma barraca de feira com mesas para o consumo imediato.

O cliente entra e encontra-se diante da barraca (a “paradeta”), de uma variedade impressionante de moluscos e crustáceos. Depois de escolher o que quer comer, pede para pesar e em seguida paga a conta. O cliente recebe então um número de mesa e, já sentado com as bebidas, espera que anunciem, pelo auto-falante e um de cada vez, os pratos prontos. Tudo muito informal, prático e sem garçons – o ideal, para não congestionar a mesa, é devolver no balcão da direita da cozinha os pratos sujos antes de retirar os recém preparados –.

O gasto médio por pessoa chega aos 20 euros, o que até pode ser considerado em conta pela qualidade dos produtos, fundamental nesse caso. O mais interessante, no entanto, é o ambiente descontraído, com todos comendo camarões suculentos muitas vezes com as mãos, as mesas divertidas de famílias e grupos de amigos e a conversa no ar.

Além do estabelecimento do Born, há outros quatro restaurantes La Paradeta. Recomendação: chegar antes das 22 horas e ter paciência com a fila.

E bom apetite ou bon profit!

Para os amigos

Esse post vai dedicado ao Danilo e à Rafa, casal de amigos que está para chegar. Duas companhias ideais para uma boa mesa, caminhadas sem hora e dias de praia.

  • Paciência com os espanhóis e catalães. Eles, afinal, não são brasileiros.
  • Na Eixample, nada de atravessar fora da faixa de pedestres –é preciso caminhar mais, sim! As esquinas são diferentes, e diminuem o campo de visão dos motoristas.
  • Disciplina com a pontualidade, mesmo com os novos amigos. Aqui, 14h15 é muito diferente de 14 horas.
  • Não se decepcionem com as frutas. Elas são assim mesmo, sem sabor, sempre verdes e caras. Algumas, pobres, chegam de avião, como é o caso da banana e a manga. Natural que estejam verdes na prateleira e passem do ponto rápido. Estresse de viagem.
  • Não esqueçam de trazer tesoura ou cortador de unha. Muito caros aqui.
  • Cheguem com disposição para andar de bicicleta. Mais agradável que o metrô, menos poluente que o ônibus e mais rápido que andar.
  • A água do chuveiro é “dura” mesmo, ou seja, deixa manchas brancas de cal e afeta a pele e o cabelo.
  • Aqui não há fartura de comida. As pessoas passam pão no prato, comem cada pedaço de fruta e tomam vinho até a última gota. Difícil ver quem, no restaurante ou em casa, desperdiça comida.
  • Tampouco sobra espaço. Essa é uma percepção interessante para quem chega da América, onde tudo é amplo e arejado. Os restaurantes, os apartamentos, as escadas, os banheiros, os comércios etc. são muitas vezes diminutos, comparados com o que temos aí no Brasil.
  • Pode tomar água da bica? Sim, mas tem gosto de burro quando foge.
  • Poucos pedem desculpas quando esbarram na rua ou onde seja. Portanto, paciência também com isso, mas nunca deixam de dizer vocês desculpa. Quem sabe as pessoas daqui aprendem um pouco de boas maneiras.
  • Para economizar, só cerveja e “vino de la casa, por favor” em bar. Para mais qualidade, melhor tomar em casa mesmo.
  • Tem perigo nas ruas? Não, e isso vale para as 4 da manhã no Bairro Gótico (pelo menos essa é a minha sensação, muito subjetiva e passível de mudanças). Toda cidade tem das suas, mas aqui é difícil que alguém chegue com arma branca ou de fogo. O que sim há são batedores de carteira, inclusive no metrô.
  • Nada de comprar carne no Dia. Nem vira-lata aceita. Melhor no Mercadona ou açougues de bairro (ainda que mais caros).
  • No comércio, paciência também com o atendimento. Há poucas pessoas atendendo, e aqui é comum bater papo enquanto se compra ou deixar o cliente em paz. Em um café, por exemplo, pode acontecer de demorarem a atender ou mesmo fingirem que não vêem.
  • Para as compras de frutas e verduras da semana, melhor os mercados municipais de bairro. Eles sobrevivem aqui e são uma diversão. Batam papo também com os atendentes, e vejam como é bacana.

Tem mais? Sim, lógico, mas já basta por hoje.

100% Selecció

Tento com esse blog contar um pouco sobre Barcelona a partir de vivências e impressões. Lógico que não dou conta do muito que essa cidade oferece e realiza. Por isso, compartilho hoje uma web interessante com uma seleção de 100 lugares da cidade, entre pontos de interesse arquitetônico, bares, restaurantes e lojas.

Está bem montado, na forma e conteúdo, e bem explicadinho. O site oferece ainda a possibilidade de imprimir mapas por zonas, o que ajuda na hora de se dedicar a uma ou outra parte da cidade. Eu descobri muitos lugares, e a verdade é que nem vi a hora passar. Só não vale esquecer do Per a tothom.

O site aqui.

Dicas de uma tarde no Raval/Gótico

ruta.jpg

Que tal passear um pouco pelo Raval/Gótico? Outro dia, aproveitando umas horas livres, voltei a alguns dos meus lugares preferidos desses dois bairros encantadores (veja a ruta). Coisa de umas seis horas:

15 horas – Princípio de tarde, estamos no Raval, mais precisamente na Praça dos Anjos. Bom começo porque aqui está o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (Macba), inaugurado em novembro de 1995.

A entrada para a coleção do museu custa 4 euros. Já a entrada para visitar todo o acervo (exposições incluídas ) custa 7,50 euros. Na saída, passamos pela livraria e tomamos algo no bar da praça atrás do museu.

Os horários de verão (de 24 de junho a 24 de setembro) são das 11 às 20 horas (de segunda a sexta), das 11 às 24 horas (quinta), das 10 às 20 horas (sábado) e das 10 às 15 horas (domingo feriado). Não abre nas terças, exceto nas que são feriados.

17h30 – Depois de descer as Ramblas, onde dá a impressão de que toda a cidade caminha unida na mesma rua, viramos na esquina do curto Passatge d’Amadeu Bagues. Poucos passos mais adiante, encontramos a loja de pôsteres Verkerke, Carrer Cardenal Casañas 10-12. Aqui não faltam pôsteres de filmes, artistas, obras de arte, desenhos em geral e mais. Detalhe também para os utensílios para enquadrar os pôsteres.

17h50 – Saindo da loja, e um pouco à esquerda, topamos com o restaurante de comida vegetariana Juicy Jones, que também prepara vitaminas. Aqui em Barcelona não é comum encontrar bares ou outros estabelecimentos que sirvam sucos e vitaminas, e por isso o Juicy Jones é uma referência. Olho com os preços: um suco médio custa pouco menos de 4 euros, mas vale a pena. Abrem até a meia-noite, menos nas segundas.

18h30 – Deixamos o balcão e, ainda com os pés no Juicy Jones, reparamos que bem em frente está a livraria Documenta. O forte são os livros de bolso em grande variedade. Vale também pelo ambiente, como nas livrarias de pouco movimento e de prateleiras até o teto.

19 horas – Hora de visitar o poder político da Catalunya, na Plaça de Sant Jaume. Nela estão a Generalitat, sede do governo catalão, e o Ajuntament, prefeitura da cidade. Aqui resolvemos caminhar um pouco meio sem rumo pelas ruelas do bairro, tomando um café aqui e só observando o movimento ali. Perto está a Plaça de Sant Felip Neri, que comentei em outro post.

21 horas – Já com vontade de começar a noite, vamos ao bar El Trece, Carrer de la Lleona, 13. Parece um quarto pequeno, e por isso vale a pena chegar cedo. Tendo em conta o espaço, conseguiram criar um ambiente muito aconchegante, perfeito para uma boa conversa entre amigos ou um princípio de noite a dois. Servem ótimos mojitos e boas sangrías.

Outro dia, seguimos pela noite.

A ilha do Armando

Sabe aquele bar que sempre dá vontade de voltar? Pode ser o ambiente, bons drinks ou um chope bem servido. No caso do Bodega (Carrer del Bisbe Laguarda - ver o mapa), bar/bodega/mini-armazém, o principal motivo talvez seja o Armando, proprietário do local. Nascido em Guiné Equatorial, é daqueles donos de bar que atuam como os clientes mais animados. Quem já foi ao Botequim do Hugo (Pedroso Alvarenga - ver o mapa -, 1014 Tel.: 3079-6090) mata a charada de imediato.

Armando, que antes administrava detrás do mesmo balcão um mercadinho que não deu certo (ele mantém uma estante com produtos como farinha de trigo e água, entre outros), serve sanduíches de presunto ibérico com queijo perfeitos para começar a noite, assim como ótimas porções de presunto ibérico, pão com tomate e queijo da Galícia.

Além disso, vende vinho de garrafão que desce por mangueiras diretamente de tonéis de madeira presos na parede até a garrafa do consumidor. Um dos muitos detalhes do bar são os frigoríficos antigos, desses de metal e com alavancas que fazem um ruído inconfundível (e pena que cada vez mais difícil de escutar).

Outro detalhe é que o Armando, na hora de fechar a conta, sempre pergunta ao freguês o que consumiu - convenhamos, uma sinceridade de bar em extinção -.

O Bodega é frequentado por gente de todas as partes e idades. Encontrarás moradores do bairro (Raval), turistas acompanhados de amigos que são assíduos frequentadores e moradores em geral de Barcelona.

As bodegas resistem na cidade. Cada vez mais difíceis de encontrar, elas são ambiente certo para quem quer compartilhar uma boa conversa de fim de noite, seja na mesa ou de cotovelo no balcão.

Nota final: perfeito para um quinto (garrafinha de cerveja), uma caña (chope na tulipa) e/ou uma copa de vino (taça de vinho).

De tapas pelo Born

set.jpgCaru, de passagem por Barcelona, nunca tinha provado o sabor das tapas, pedida quase obrigatória em terras espanholas e catalães. Nesse ponto, não importa se você é español, catalão ou de fora: as tapas são de todos, e para todos. As adaptações na preparação são infinitas (se consideram tapas também as porções de presunto ibérico, por exemplo), e mesmo você pode criar uma tapa. Por isso, são comuns aqui na Espanha umas feiras de chefs de tapas, nas quais é possível provar opções de todos os formatos e composições imagináveis.

No nosso caso, fomos ao Born em busca de tapas mais comuns em Barcelona, oferecidas tanto no bar da esquina como em casas mais exclusivas da gastronomia local (com as devidas diferenças, claro está). Dividimos mesa no Set de Born (Esparteria, 7 - ver o mapa - Tel. 93 319 35 31), xarcuteria (casa de embutidos) de ambiente convidativo: presunto ibérico e queijos variados expostos ao cliente. As mesas estão bem juntas, o que é uma qualidade mais para quem busca menos formalidade.

O cardápio oferece vinhos de qualidade, ideais para uma boa conversa de “pica pica”, ou seja, de provar diferentes porções. Nosso objetivo, porém, eram as tapas (tapes, em catalão). Daí a escolha:

  • Tapes de boquerons (os boquerones são peixes pequenos encontrados nos oceanos Pacífico e Atlântico e nos mares Mediterrâneo e Negro);
  • Tapes de patates braves (batatas cozidas e cortadas em pedaços pequenos, acompanhadas do molho “alioli” (all i oli em catalão, que significa alho e óleo), preparado com maionese e alho);
  • Tapes de jamón iberico (presunto ibérico);
  • Pa amb tomaquet (eles cortam o tomate no meio, passam no pão e acrescentam azeite e sal).

Também pedimos uns croquetes de presunto ibérico, bastante comuns. Com duas cervejas e uma garrafa de água mais, a conta saiu por 29,50 euros, preço justo para o menú.

Nota final: pedida certa.

Só um aviso: quem chegar depois das 21 horas terá que esperar na porta. Também vale avisar que não abrem nas terças-feiras.

Bon profit!

A Glòria preparou hoje uma das delícias da cozinha catalã e perfeita para comer em casa no domingo ou no restaurante mais próximo do trabalho: “fideus a cassola”. Prático de fazer, pede ingredientes fáceis de encontrar.

  • Numa panela média, comece pelo óleo e sal, espere esquentar e acrescente verduras picadas;
  • Deixe um tempo, e complete com cebola picada e massa de tomate;
  • Em seguida, é a vez da lula, do camarão e algum outro fruto do mar. Em todo caso, se faltam Reais, existe a variante com carne e frango picados;
  • Agora é a vez do vinho branco, que pode ser de qualidade ou um para cozinhar.
  • Deixe tudo cozinhar por um tempo;
  • Por último, deve-se acrescentar os fideos, algo como macarrão granulado. Como nao são comuns no Brasil, vale a improvisação: partir o macarrão tipo espaguete em pedaços pequenos;
  • Deixe mais um tempo na panela, apague o fogo e reserve tempo para descansar.

Pronto, “fideus a cassola” à mesa.

Bon profit!

P.s.: Moltes gràcies, Glòria. Perfecte!